“Se dê o seu tempo”

Tenho muita sorte por ser ator. Encontro pessoas sensíveis e apaixonadas como companheiros de trabalho e na maioria das vezes trocamos impressões e aprendizados que garimpamos a cada trabalho. Os conselhos vão desde escolher um lugar silencioso para cochilar depois do almoço em uma gravação até dicas valiosas sobre como encarar textos e personagens.

A primeira vez que escutei a expressão “se dê o seu tempo” foi ainda na escola de teatro: um dos professores, um baixinho endiabrado que nos dava aulas de interpretação insistia para que tomássemos o tempo que precisasse, às vezes até a mais, para que uma cena acontecesse. Recentemente, num curso sobre Shakespeare, ouvi novamente esse conselho: “Tome seu tempo para dizer suas falas: ninguém vai interrompê-lo até você terminar.”

Acontece comigo de querer apressar algumas coisas: aprender mais rápido a cantar ou tocar violão, chegar mais rápido nos meus compromissos, superar mais rápido minhas perdas. Não funciona assim.

Esse chicotinho faz parte de uma velha conhecida minha: a dona Exigência, uma senhorinha magrinha, de personalidade áspera e severa, que mora aqui dentro de mim e que de vez em quando dá seus chiliques pra me atormentar.

– Geraaaaaaaaaldo, o que você está fazendo com esse violão? Essa pestana ainda não saiu direito.

– Eu estou aprendendo.

– Mas Geraaaaaaldo, como está desafinado.

– Calma, vou tentar de novo.

– Geraaaaaaaaldo, porquê essa cara hoje?

– Olha, dona Exigência, é melhor você maneirar um pouco com essas cobranças! A última coisa que eu preciso é de alguém que só sabe apontar os defeitos e dizer o que não está bom. Que tal se você começar a perceber o que nós já avançamos? Os rés, dós, sóis e lás que estão saindo bonitinhos e a música que eu já aprendi?

– Ah, mas…

– “Ah, mas…” não! Eu vou me dar o meu tempo. Passar bem.

E assim eu encerro a conversa com ela, mais leve e mais aberto para experimentar o que pode acontecer.

É o que eu quero compartilhar essa semana!

Abração e bom fim de semana!

O passarinho

Meu mundo está mudando rápido: casa nova, escolhas novas, trabalhos novos, transformação. Nessas horas de muito movimento, quando não há uma ordem segura ou entendimento muito apurado das coisas, me lembro da história do rei que encomendou aos artistas do seu reino um quadro que representasse a paz. O quadro mais completo em sua representação seria premiado.

Após algumas semanas, dois finalistas disputavam o primeiro lugar. O primeiro era a imagem de um lago plácido que refletia montanhas geladas e majestosas. O segundo era a imagem de uma tempestade violenta, cheia de raios, vento e gotas de chuva, com árvores distorcidas pela força do temporal.

Ao encontrar seus súditos o rei lhes perguntou qual das duas imagens representava a paz e a resposta era unânime: a primeira.

Porém, um velho sábio que olhava atentamente respondeu:

– A segunda.

– E porquê? – O rei perguntou admirado.

– Embora a primeira represente uma paisagem específica, há na segunda uma árvore e em seu galho está um pássaro que, imóvel e tranquilo, observa a tempestade. Esse pássaro representa a paz.

É o que eu quero compartilhar essa semana!

Um abração e bom fim de semana pra todo mundo!

PRESENTE!!

DISNEY

Minha cabeça é uma fábrica de histórias e nas suas engrenagens se produz de tudo: sonhos românticos, contos de terror, façanhas heróicas.

Produzir essas fantasias em geral é uma resposta ao presente em que vivo: respondo ao que julgo errado e não posso mudar sonhando com soluções e realidades novas e diferentes.

Mas como a avó da minha amiga dizia: “Se você julga alguma coisa, atitude ou pessoa, ou você se torna aquilo, ou você se casa com aquilo.”

As fantasias são apenas fantasias, mas como posso transformar o meu presente em algo habitável, pleno, exatamente como ele é?

A resposta é: indo para dentro e procurando aquilo que eu julgo fora e abraçando isso dentro de mim.

Se me incomoda a corrupção, olho para os momentos em que ainda não sou 100% transparente. Se me dói a carência, a pobreza ou a solidão que eu percebo nas pessoas, reconheço isso internamente e me alimento com minha própria compreensão, meu amor e minha flexibilidade. Não que não me importem as dificuldades que os outros vivem, apenas que preciso curar isso em mim para poder atuar no mundo de uma perspectiva de amor, não de julgamento.

Encontro que compartilhar essas reflexões da minha intimidade com vocês é um momento mágico para mim. Espero que desfrutem também!

É o que eu quero compartilhar essa semana!

Abração,

Geraldo

Marina e Ulay

Uma das coisas que mais me tocou nesses últimos dias foi o reencontro de Marina Abramovic e Ulay.

Marina Abramovic é uma artista que trabalha com performance, um estilo de arte contemporânea que pode contar com a participação de pessoas. Não é um teatro, está mais para uma experiência. Numa das performances recentes, ela compartilha um minuto de silêncio com pessoas que se sentam à sua frente, numa galeria de arte. Uma pessoa por vez.

Li que Ulay foi seu namorado nos anos 70 e que eles faziam performances juntos. Depois de cinco anos de relação, os dois decidiram se separar e então combinaram que caminhariam pela muralha da China, cada um saindo de uma ponta, até se encontrarem no meio do caminho para dar um abraço e não se verem mais.

Na performance do minuto de silêncio, sem aviso prévio, Ulay se sentou na cadeira à frente de Marina e assim compartilharam seu minuto, 23 anos depois.

Como o aluno que levanta a mão e pergunta à professora aquela dúvida boba que todos tiveram, Marina experimentou na minha frente a sua emoção pelo reencontro e me emocionando com ela, saí mais leve desse lado.

Obrigado Marina Abramovic!

Slow Down

Meu exercício favorito é correr e a cada vez que corro, geralmente num parque ou praça perto de casa, penso nas próximas corridas de São Paulo: a meia-maratona, a maratona, o circuito Sesc de Corridas, e algumas vezes, penso em como seria ótimo correr nestas competições e isso me motiva a melhorar meus tempos.

Acontece que senti uma dorzinha no joelho que me obrigou a diminuir o ritmo e a valorizar o simples ato de correr, sem precisar alcançar um resultado ou baixar um tempo. Correr pelo prazer, não pelo resultado.

Esses dias estou correndo sempre também porque vi no Fantástico dois irmãos americanos que competem juntos em triatlon: só que um deles tem paralisia cerebral e quem o leva é o outro irmão.

Na reportagem, o garotinho, com a propriedade de um triatleta maduro explica que vencer seria ótimo, mas às vezes isso não é o mais importante.

É o que eu quero compartilhar!

Abração e bom carnaval!

Caraguatatuba

A casa de praia onde estou é típica. Tijolos aparentes, janelas brancas, jogos e baralhos pelos armários, mesa de ping-pong e nenhuma TV. A maioria das camas e armários são embutidos e a varanda é larga o suficiente para três ou quatro redes.

Estar aqui foi um presente doce e ensolarado. Doce de picolés, de chocolate, pudim e sorvetes de massa. Ensolarado de areia, caiaque, laser (que é um pequeno veleiro) e barracas de praia. Nas noites, nós nos enfrentamos nos jogos guardados no armário e vimos filmes no computador: “The blind side”, que no Brasil se traduziu como “Um sonho possível”, fala de um garoto negro que é acolhido por uma família branca e se torna um astro do futebol americano. Sandra Bullock ganhou o Oscar por sua interpretação da mãe firme e amorosa e, irrevogável, abriu meu coração. Sim, é daqueles filmes, preciosos na minha opinião, que revigoram a fé na humanidade. Ainda mais quando baseado em fatos reais.

Acertadamente, o filme mostra valores antigos (medo, preconceito) sendo substituídos por valores novos (união, confiança) não sem uma boa dose de esforço, resistência e dor. Um filme que me fez avançar não só adiante, mas para dentro, onde cada pequeno passo faz muita diferença.

E assim, unido, recebo 2013 muito agradecido por minhas férias na praia.

Obrigado Lia e toda família. Feliz 2013!!

Vai Corinthians!!

No domingo, o Corinthians venceu o mundial de Clubes da Fifa. Vi o segundo tempo do jogo e vibrei quando Guerrero fez o nosso gol e quando Cássio ganhou a Golden Ball, símbolo do melhor jogador em campo. Não sou corinthiano e nem torço muito em jogos de futebol, mas esse jogo me prendeu por ser a final do campeonato.

Acontece às vezes de um evento assim oferecer uma motivação a mais e o jogo ferve de garra e vibração. Pra mim isso é maravilhoso porquê essa energia de fazer parte e de encontrar um lugar num time é preciosa.

Por algum tempo, desdenhei a motivação como se ela fosse mais um ingrediente do “sistema”, um auto-convencimento barato. Algumas vezes esse pensamento me ocorre, mas isso me faz parar e pensar diferente: a motivação é o que eu uso pra desenvolver meu potencial e compartilhar isso com os meus irmãozinhos terráqueos e pensar assim me serve, me alimenta. Se o “sistema (?)” se beneficia, ótimo, porque essa é a idéia: que todos se beneficiem.

Motivação é um brilho que serve para lustrar os meus sapatos antes de um casamento (como o da Xaxá e do Rodrigo, que foi muito emocionante), serve para fazer a barba e mesmo pra dormir, pra estar descansado no dia seguinte quando vou trabalhar ou passear.

E motivação foi o que levou o Corinthians da segunda divisão do Brasil, para o primeiro lugar do Mundo! Por isso, parabéns Corinthians!