Dar e receber

Por ter sido meu aniversário no dia vinte de julho, recebi muitos parabéns e muitos presentes de amigos e parentes. Ganhei até um bolo e cantaram parabéns no ensaio da nossa peça “Depois daquela viagem”. Nada mais é tão gratificante quanto ouvir os “Parabéns a você”.

Tenho a sensação de que esse é um momento de muita abundância no Brasil. Há trabalho e há cultura sendo produzida e há festas de aniversário acontecendo nos nossos ensaios!

Nessas ocasiões em que é mais intensa a troca de afeto, de presentes e de apreciações, em geral me sinto desarmado, como se pudessem ver através de mim, me sinto emocionado e meu coração bate acelerado. São sensações boas porquê me dizem que estou vivo, que estou presente e isso é muito valioso.

Isso ficou muito intenso pela data mas numa intensidade um pouco menor, a vida tem me presenteado todo o tempo: é um presente estar vivo e aprender algo novo todos os dias, é um presente estar perto de amigos e família, é um presente escutar “Ojalá que llueva café” de Juan Luis Guerra ou assistir a “Meia noite em Paris” e mesmo as brigas com meu irmão são um presente porquê me ensinam que as coisas não serão do jeito que eu quero e assim mesmo eu posso estar feliz.

Aproveito para homenagear minha mãe, que me deu à luz, alguns (27) anos atrás. Silenciosamente ela trabalhou a vida toda, atendendo seus pacientes no consultório e na previdência social e além de trabalhar, o que mais a tenho visto fazer é estudar os avanços e discussões da medicina, sua paixão e vocação maiores. Isso a levou a escrever um artigo refletindo sobre a humanização do trabalho, um estudo sobre como o ambiente afeta a saúde emocional do trabalhador.

Mergulho no passado e sou transportado ao meu terceiro colegial ao Bar do Italiano onde eu passava algumas tardes jogando sinuca e gastando meu precioso tempo de estudar para o vestibular.

Desconfiada do meu paradeiro suspeito, minha mãe passou pelos arredores do bar e ao me ver, sem se importar com os freqüentadores ou dono do estabelecimento, dona Regina brecou seu carro e entrou gritando, furiosa:

– O quê você está fazendo aqui? Desocupado! Você tem vestibular, menino! Vai pra casa estudar já!

Eu não cheguei a terminar a partida de sinuca, mas naquele ano eu entrei na faculdade. E recebi da minha mãe esse estranho presente de que nunca mais me esqueci.

Como escutei uma vez, presentes podem vir embrulhados em jornal, mas se você abri-los vai encontrar tudo que você precisa.

Um abração e bom fim de semana.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s