Cultos

O que eu mais gosto na minha profissão é que eu vivo situações novas todos os dias: os ensaios são ricos, os testes são apavorantes e as apresentações são uma descida na montanha russa. E se por um lado há dificuldades em conseguir financiamentos, público, lugares para ensaio e apresentações, me parece que o painel está melhorando: vivemos um Renascimento à brasileira com bastante produções em cinema, em teatro, em dança. E em artes plásticas.

Ontem fiz uma performance na Galeria Vermelho, criada por um artista chamado Maurício Ianês.

Enquanto Maurício e outro ator permaneciam em silêncio sentados cada qual numa ponta da mesa, eu e mais três atores lemos um texto do próprio Maurício que dizia da perda da comunicação, da distância nas relações. Ao longo do texto, batidas na mesa levavam a um crescente de ruídos que acentuava a sensação incômoda de uma relação desgastada.

Meu trabalho era ler o texto sem interpretação, praticamente neutro e eu me perguntava: pra onde leva isso tudo? O quê significa essa performance? Que experiência é essa que o público terá com a nossa cena?

E cansado de perguntar me concentrei para ler e as coisas se esclareceram. A obra toda tinha um sentido transmitido pela experiência que o Maurício proporcionava ao público. A idéia era clara, a experiência foi forte e esteticamente muito bonita, limpa e direta. Além disso, a beleza de estarmos ali, juntos, era o bastante para me dar um sentido. Fiquei muito grato ao Maurício por criar essa performance e se abrir para que nós participássemos.

Por um instante, me lembro dos domingos na Paróquia Santa Terezinha, quando eu lia a primeira ou segunda leitura da missa e tocava triângulo nos cantos de louvor, com nove anos. O púlpito agora é uma sala branca, mas eu continuo o mesmo garoto procurando alimentar a minha alma lendo em voz alta as minhas (sim, a história do Maurício também é a minha) histórias.

Aleluia!

O próximo “culto” será minha festa de aniversário: no alameda Geraes, rua Minas Gerais, 181, pertinho da esquina da Consolação com a Paulista (mesmo assim é bom dar um Googlemaps!). Na próxima quinta-feira, dia 21 de julho. Comemoro com a Mari Leme, Carol Capacle, Daniel Kronemberg e Barbara Garcia e a festa será um baile de máscaras, a partir das 22hs e são 25 pilas de consumação. Não é um púlpito ou uma sala branca mas com certeza será alimento pra alma dançar com todos vocês! Nos vemos lá!

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