Eu e eu mesmo

Em geral, acho que ninguém gosta de ficar sozinho, de estar sozinho. Automaticamente perguntamos por nossos parentes, começamos a fazer coisas na casa, entramos no computador para checar e-mails ou vamos fazer compras.

É mesmo incômodo estar por conta própria. Sem alguém para trocar as impressões sobre aquele filme ou para desabafar sobre aquele problema que está difícil de esclarecer.

O que eu vejo é que em algumas das vezes que saio por aí tagarelando, é que estou também me distraindo de mim mesmo em vez de estar comigo mais profundamente. A mesma coisa quando fico ruminando um mesmo assunto seguidamente: isso me tira desse momento e eu me perco nos “sim” ou “não” que não me ajudam a esclarecer o que estou vivendo.

Ouvi uma conferência com Eckhart Tolle onde ele chamava isso de “adicção a pensar”. É uma similar da adicção a qualquer outra coisa: drogas, sexo, álcool, comida, trabalho.

A pergunta é: Como eu faço para começar a gostar de estar comigo?

A resposta é: Começando a estar comigo o mais que eu posso.

Para mim, estar comigo é estar presente nas minhas sensações físicas, nos meus batimentos cardíacos, na minha respiração e isso pode parecer estranho num mundo tão agitado e que oferece tantos estímulos coloridos e informações.

É realmente estranho! Minha experiência é que os sons da chuva ganham uma melodia como a do xilofone e perco menos as coisas: sei onde deixei minha chave da moto e quando é hora de comprar mais comida para casa.

E estar presente me deixa mais sensível também: percebo melhor o tom de voz das pessoas, se estão com pressa, tristes ou alegres. Percebo o gosto da comida e acabo não comendo tanto quanto comeria habitualmente, enfim, começo a perceber as pequenas coisas que estão aqui e isso passa a ter mais importância no meu dia-a-dia.

Me lembra uma cena do filme “Peaceful Warrior” que saiu no Brasil com o nome de “Guerreiro Pacífico”. No filme, o personagem de Nick Nolte ajuda um jovem atleta a se reabilitar física e emocionalmente depois de um acidente. Nessa cena, o jovem entra no salão de ginástica e começa a escutar os pensamentos dos outros atletas. O filme é bonito e essa cena é muito esclarecedora.

Mas porquê eu vou fazer esse esforço para estar presente, para estar comigo, para estar aqui? Eu comecei com isso porquê minha profissão me exigiu. Ou fui ser ator porquê queria experimentar coisas novas? Não sei.

Meu palpite é que quanto mais eu for capaz de estar comigo, percebendo e aceitando todos os meus lados, minhas limitações ou “defeitos”, melhor conseguirei aceitar isso nos outros e estar com vocês será mais prazeroso.

Vou continuar treinando por aqui, porque como já escrevi antes, dia vinte de julho é meu aniversário e quero uma festa muito animada!

Abração e bom fim de semana.

Geraldo

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