Feliz Páscoa

Viver em uma cidade grande nos coloca frente a muitos desafios. A sobrevivência é o primeiro deles: conseguir sobreviver do nosso próprio trabalho. Quando atingimos a idade de sermos responsáveis pelo nosso próprio sustento, muitas vezes isso se torna nosso foco principal e às vezes nosso único foco. O resto vira distração.

Isso acontece comigo e tem acontecido nessas duas últimas semanas, desde que voltei do Uruguai.

A questão vira um problema quando eu me esqueço que sou uma pessoa, um ser humano e passo a reagir automaticamente para conseguir aquilo que desejo alcançar. Isso se traduz em pressa no trânsito, rigidez comigo mesmo, com os amigos e com a família, pressa nas refeições, pressa, pressa, pressa.

A pergunta é: Como faço para conseguir meu sustento sem me violentar a ponto de perder meu momento presente com minhas preocupações?

A resposta é: Me rendendo e confiando.

Eu faço vários exercícios com a intenção de me ajudar a confiar e a me render ao que esteja acontecendo nesse momento. E isso me ajuda a tirar o peso das preocupações com o trabalho e a me enfocar em estar presente. Como resultado, o trabalho flui e encontro as soluções que preciso para superar todos os obstáculos.

O primeiro exercício é dar passagem no trânsito. Fazer isso me ajuda a valorizar e agradecer quando fazem o mesmo por mim e me faz me questionar sobre o que realmente importa e como tenho organizado meu tempo.

Outro exercício é cuidar dos lugares por onde passo, seja um supermercado, seja uma rua, seja um banheiro público: tenho a intenção de deixar cada lugar por onde passo melhor do que encontrei. Isso também me ajuda a tirar o foco das minhas preocupações e contribuir com um lugar que também é meu lar: em última instância, esse planeta é meu lar e em primeira instância, onde quer que eu esteja, aí é meu lar.

Outro exercício é oferecer meus serviços. Ultimamente tenho cozinhado em minha casa e a cada refeição, guardo uma parte e dou aos funcionários do meu prédio ou aos meus vizinhos e com minha família, me ofereço a servir e a tirar a mesa. Por incrível que pareça, o que antes era um “empurra empurra” daquilo que ninguém queria fazer, está se transformando em algo que fazemos juntos, para o nosso próprio bem. E isso me comove e me faz valorizar cada vez mais a família que eu tenho.

E se, novamente, amplio esse pensamento, a família que eu tenho também é você, que não é meu parente, mas compartilha comigo desse planeta. Então, como presente de páscoa, compartilho com você essas coisas que tenho feito por mim.

Boa páscoa e que seu coração fale cada vez mais e mais alto.

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